Sua landing page não indexa: o checklist na ordem certa
A página está no ar, você digita o nome dela no Google e não aparece nada. Antes de mexer em palavra-chave, vale rodar o diagnóstico na ordem: as causas são poucas, quase todas são banais, e cada uma tem um jeito objetivo de conferir em menos de dois minutos.
Antes de tudo: confirme que o problema é indexação
Existe uma confusão que faz muita gente consertar a coisa errada. Não estar indexada e estar indexada e mal posicionada são problemas diferentes, com soluções diferentes.
Dois testes rápidos separam os casos:
- Busque a URL exata. Digite no Google
site:seudominio.com.br/sua-pagina. Se aparecer, a página está indexada e o seu problema é posicionamento, não indexação. Pare aqui e vá cuidar de conteúdo e termo de busca. - Se não aparecer, use a Inspeção de URL do Google Search Console. É a única ferramenta que responde com o motivo, e não com um sim ou não. Se você ainda não tem o Search Console configurado, instale antes de qualquer outra coisa: sem ele você está adivinhando.
Vale também descartar o caso mais bobo de todos: a página é nova demais. Indexação não é instantânea. Em domínio novo, dias ou algumas semanas é normal. Se a página subiu ontem, não há problema para diagnosticar ainda.
1. A tag noindex esquecida
É a causa mais comum, de longe, e a mais constrangedora. Alguém colocou noindex enquanto a página estava em construção, para o rascunho não vazar para a busca, e ninguém tirou no dia da publicação.
Ela aparece de duas formas. Uma no HTML da página, como <meta name="robots" content="noindex">. Outra no cabeçalho da resposta do servidor, como X-Robots-Tag: noindex, que é pior porque não aparece no código-fonte que você lê no navegador.
Como conferir
- Abra a página, veja o código-fonte e procure por
noindex. Se estiver lá, é isso. - Se não estiver, use a Inspeção de URL do Search Console: ela informa explicitamente quando a exclusão vem de uma tag noindex, inclusive quando ela veio pelo cabeçalho HTTP.
- Em sites feitos com construtor, procure a opção de visibilidade nas configurações. Muitos têm uma chave de "desencorajar buscadores" ligada por padrão no modo de rascunho.
2. O robots.txt bloqueando o rastreamento
O segundo suspeito é um arquivo de texto na raiz do site. Um Disallow herdado de um ambiente de testes, ou de um plugin, impede o rastreador de chegar na página.
Aqui mora uma sutileza que gera muito erro: bloquear no robots.txt não é o mesmo que remover da busca. O robots impede o rastreamento, não a indexação. Se outras páginas apontarem para a sua URL, o Google pode indexá-la mesmo bloqueada, exibindo apenas o endereço, sem título e sem descrição, porque ele nunca conseguiu ler o conteúdo.
A consequência prática disso é a combinação mais destrutiva das duas primeiras causas: página com noindex e bloqueada no robots ao mesmo tempo. O rastreador não pode entrar, então nunca lê a tag noindex, e o comando que você deu nunca é obedecido. Se quer tirar da busca, libere o rastreamento e use a tag.
Como conferir
- Abra
seudominio.com.br/robots.txtno navegador e leia. É um arquivo curto. - Procure qualquer linha
Disallow:que cubra o caminho da sua página. Cuidado especial comDisallow: /, que bloqueia o site inteiro. - A Inspeção de URL do Search Console também informa quando o bloqueio veio do robots.txt.
3. O canonical apontando para outro lugar
A tag canonical serve para dizer ao buscador qual é a versão oficial de um conteúdo que existe em mais de um endereço. Quando ela está errada, você está dizendo "a versão de verdade dessa página é aquela ali", e o Google obedece: indexa a outra e ignora a sua.
Os três erros clássicos:
- Canonical copiado de outra página. Alguém duplicou o arquivo HTML para criar a nova página e esqueceu de trocar a URL da tag. Todas apontam para a primeira.
- Canonical apontando para a home. Comum em tema ou template mal configurado. Toda página interna se declara cópia da home.
- Canonical apontando para o domínio de desenvolvimento. A página no ar aponta para o endereço de teste, que geralmente nem é público.
Como conferir
Veja o código-fonte e procure por rel="canonical". A URL ali dentro tem que ser a própria página, com o mesmo protocolo, o mesmo domínio (com ou sem www, conforme o seu padrão) e a mesma barra final. A Inspeção de URL mostra os dois lados: o canonical que você declarou e o que o Google escolheu. Quando esses dois divergem, você tem a resposta.
4. A página órfã, sem nenhum link apontando para ela
Uma página que não recebe link de lugar nenhum, nem de dentro do seu site, nem de fora, é uma página que o buscador não tem como descobrir. Ele não adivinha URLs. Isso é frequente em landing page de campanha, que nasce solta de propósito.
Vale notar que estar no sitemap.xml ajuda, mas é um pedido, não uma garantia. Sitemap serve para o Google saber que a URL existe. Link interno é diferente: além de fazer o rastreador chegar lá, ele comunica que aquela página tem importância dentro do site.
Como conferir
- Tente chegar na página clicando, a partir da home, sem digitar a URL. Se não der, ela é órfã.
- Confira se ela está no
sitemap.xmle se o sitemap está declarado norobots.txt. - No Search Console, a Inspeção de URL mostra a página de referência que levou o rastreador até lá. Se esse campo estiver vazio, ninguém aponta para ela.
5. Conteúdo fino demais para justificar um lugar no índice
A partir daqui saímos dos problemas técnicos e entramos nos editoriais. Se a Inspeção de URL diz "rastreada, mas não indexada", o Google conseguiu ler a página e escolheu não guardá-la. Indexar custa recurso, e ele não guarda tudo.
As situações que costumam produzir isso:
- Texto quase todo dentro de imagem. A página parece cheia para você e está praticamente vazia para o rastreador. Ele não lê texto em JPG.
- Página intercambiável. Se dá para trocar o nome do negócio e o texto continuar valendo para qualquer concorrente, não há o que indexar.
- Uma família de páginas quase idênticas. Vinte páginas por cidade com o mesmo texto e o município trocado. O Google costuma guardar uma e descartar as outras.
- Só formulário e botão. Página de captura sem nenhuma informação. Funciona para anúncio, não para busca.
A correção aqui não é adicionar palavras. É adicionar informação que só o seu negócio tem: preço ou faixa de preço, área realmente atendida, prazo real, perguntas que os seus clientes fazem de verdade. Isso, de quebra, é o mesmo material que faz a página converter, que é o motivo de conteúdo de busca e conteúdo de venda serem quase o mesmo conteúdo.
6. Domínio novo, sem histórico nenhum
Se o domínio foi registrado há poucas semanas, ninguém nunca linkou para ele e não há sinal externo de que ele existe, a indexação vai ser lenta. Não é punição nem "sandbox" no sentido conspiratório. É priorização: o Google tem orçamento de rastreamento finito e distribui conforme o valor que já enxergou.
O que efetivamente acelera:
- Configurar o Search Console e usar a Inspeção de URL para pedir indexação. É um pedido, não uma ordem, mas costuma funcionar.
- Publicar o sitemap e declará-lo no robots.txt.
- Conseguir uma menção real em qualquer lugar que já seja rastreado: seu perfil profissional, um diretório do setor, um cadastro de fornecedor, redes onde você já tem presença.
- Preencher o perfil do negócio no Google. Para negócio local, é frequentemente o primeiro sinal externo de existência.
O que não ajuda: comprar link, cadastrar em cem diretórios vazios, republicar o mesmo texto em vários lugares. Isso troca um problema de lentidão por um problema de reputação.
7. O conteúdo só existe depois que o JavaScript roda
Esta é a mais rara na lista e a mais cara de descobrir, porque ela é invisível. A página abre perfeitamente no seu navegador. Você vê título, texto, depoimentos, tudo. E o que o rastreador recebeu foi um arquivo HTML praticamente vazio, com uma <div id="root"></div> e um script.
É o que acontece quando a página é uma aplicação que monta o conteúdo no navegador. O Google até renderiza JavaScript, mas isso acontece numa segunda passada, com fila e prioridade próprias, e depende de nada falhar no caminho: um script que quebra, um recurso bloqueado no robots.txt, um tempo de execução longo demais. Em domínio novo e sem autoridade, essa segunda passada pode simplesmente demorar muito.
Como conferir
- Desligue o JavaScript no navegador e recarregue a página. O que sobrar na tela é aproximadamente o que um rastreador simples enxerga. Se sobrar tela branca, achou o problema.
- Veja o código-fonte original, com Ctrl+U, e não o inspetor de elementos. O inspetor mostra a página já montada e vai te enganar. O código-fonte mostra o que o servidor entregou.
- Na Inspeção de URL, abra o HTML testado e procure o seu texto principal. Se o texto não estiver ali, o Google dependeu da renderização para vê-lo.
A correção é estrutural: entregar o conteúdo já no HTML do servidor, com geração estática ou renderização no servidor. Para uma landing page, que é conteúdo fixo, isso deveria ser o padrão. Página de conversão raramente tem motivo para depender de JavaScript para exibir texto.
O diagnóstico em uma tabela
| Sintoma | Causa provável | Como conferir |
|---|---|---|
| Search Console diz "excluída por tag noindex" | noindex no HTML ou no cabeçalho HTTP | Código-fonte e Inspeção de URL |
| Aparece na busca só a URL, sem título nem descrição | Bloqueada no robots.txt e linkada de fora | Ler o arquivo robots.txt |
| Search Console mostra canonical diferente da URL | Canonical apontando para outra página | Procurar rel="canonical" no código-fonte |
| "Descoberta, mas não indexada" | Página órfã, domínio novo ou baixa prioridade | Tentar chegar na página clicando, do zero |
| "Rastreada, mas não indexada" | Conteúdo fino, duplicado ou intercambiável | Ler a página se perguntando o que só ela tem |
| Página perfeita no navegador, vazia para o robô | Conteúdo renderizado por JavaScript | Desligar o JavaScript e recarregar |
Rode na ordem. Quase sempre a resposta está nos dois primeiros itens, e quase sempre alguém tenta resolver começando pelo último.
Perguntas frequentes
Quanto tempo o Google leva para indexar uma página nova?
Em site já estabelecido e com links internos, costuma ser de horas a poucos dias. Em domínio novo, sem histórico e sem nenhuma menção externa, semanas é normal. Se passou de um mês e o Search Console não mostra nenhum erro, o problema provavelmente é falta de sinal externo, não bug técnico.
Meu site aparece quando busco pelo nome, mas não pelo serviço. É problema de indexação?
Não. Se aparece por qualquer busca, está indexado. O que falta é posicionamento para um termo com concorrência, que é outro trabalho: conteúdo que responda àquela busca melhor que as páginas concorrentes. Diagnóstico de indexação não vai resolver isso.
Enviar a URL pela Inspeção do Search Console garante a indexação?
Não garante. É um pedido de priorização na fila, e o Google continua decidindo se a página vale um lugar no índice. Se a página tiver noindex, bloqueio no robots, canonical apontando para outro lugar ou conteúdo considerado pobre, o pedido não muda nada. Corrija a causa primeiro, depois peça.
Página em React ou Vue não indexa?
Indexa, mas com risco extra e prazo maior, porque o conteúdo depende de uma etapa de renderização com fila própria. Para uma landing page, cujo conteúdo é fixo, a solução simples é gerar o HTML no build ou renderizar no servidor. Assim o conteúdo chega pronto para qualquer rastreador, inclusive os que não executam JavaScript.
Preciso de sitemap.xml para indexar?
Não é obrigatório, e ele não força indexação nenhuma. É um jeito de informar quais URLs existem, útil principalmente em site novo ou com páginas pouco linkadas. Um link interno bem colocado costuma valer mais que a entrada no sitemap, porque comunica importância além de existência.