Quanto custa uma landing page, e o que realmente muda o preço
Você pediu dois orçamentos. Um veio R$ 400, o outro R$ 4.000, e os dois dizem que entregam a mesma coisa. Um dos dois está errado, e sem saber o que compõe o preço não dá para descobrir qual.
A resposta curta, e por que a faixa é tão larga
No Brasil, uma landing page vai de algumas centenas de reais a algumas dezenas de milhares. Essa faixa é inútil como resposta, e mesmo assim é a que a maioria dos artigos entrega antes de mudar de assunto.
A faixa é larga porque "landing page" não descreve um produto, descreve um formato. É como perguntar quanto custa um carro. A pergunta que tem resposta é outra: o que exatamente está incluído nesse número, e o que acontece depois que o site entra no ar.
Este texto não vai te dar um preço. Vai te dar a capacidade de ler qualquer proposta, inclusive de alguém que não seja eu, e saber o que você está comprando.
Os cinco itens que existem em todo orçamento
Todo orçamento de landing page é a soma dos mesmos cinco componentes. A diferença entre propostas quase sempre está em quais deles foram silenciosamente removidos.
1. Domínio
É o endereço, o seunegocio.com.br. Custo fixo, anual, público e igual para todo mundo: o registro .com.br é cobrado pelo Registro.br, que é o órgão oficial no Brasil. Ninguém consegue comprar mais barato que ninguém.
O que muda é em nome de quem ele fica registrado. Se o domínio está no CNPJ do fornecedor e não no seu, você não é dono do seu endereço. No dia que a relação terminar, você recomeça do zero em outro endereço, e todo o histórico no Google vai junto. Isso não é detalhe técnico, é a diferença entre alugar e comprar.
2. Hospedagem
É onde o site fica. Para uma página estática bem construída, o custo real de infraestrutura hoje é baixíssimo, e existem planos gratuitos honestos que aguentam tranquilamente o tráfego de um negócio local.
Cuidado com dois extremos. De um lado, cobrança de hospedagem "premium" com valor de servidor dedicado para servir uma página de 300 KB. Do outro, hospedagem grátis sem ninguém responsável: quando cair numa sexta à noite, não existe para quem ligar. O que você paga aqui, quando faz sentido, é a responsabilidade de alguém, não o disco.
3. Desenvolvimento
É a maior parte do orçamento e a que mais varia, porque cobre coisas muito diferentes sob o mesmo nome. Vale perguntar qual dos três você está contratando:
- Template preenchido. Um layout pronto que recebeu o seu logo e o seu texto. É rápido e é o mais barato. O problema é que a página fica parecida com outras mil, e o construtor costuma cobrar mensalidade para o site continuar existindo.
- Construtor visual com customização. Alguém montou a página num editor de arrastar e soltar e ajustou bastante. Melhor, mas o site nasce dependente daquela plataforma e costuma carregar bem mais código do que precisa.
- Página escrita à mão. Código feito para aquele negócio. Custa mais em horas e entrega uma página leve, sem mensalidade de plataforma e sem dependência de ninguém para continuar existindo.
Nenhum dos três é errado. O erro é pagar preço de um e receber outro.
4. Copy e conteúdo
É o texto da página, e é o item que some com mais frequência no orçamento barato. Ali aparece "cliente envia os textos", que traduzido significa: você vai escrever a sua própria página de vendas, num domingo à noite, sem nunca ter escrito uma.
Isso importa mais do que parece, porque o texto é o que efetivamente vende. O design faz a pessoa ficar. O texto faz ela agir. Uma página bonita com texto genérico é um cartaz caro.
5. Imagem
Foto de banco de imagem é barata e parece foto de banco de imagem. O cliente reconhece na hora, e isso trabalha contra a confiança que a página deveria construir. Foto real do seu espaço, do seu produto e da sua equipe custa mais e vale mais.
Se o orçamento não menciona imagem, assuma que virá de banco. Vale perguntar antes, não depois.
O que some quando o orçamento é muito barato
Preço muito baixo não significa que alguém está sendo generoso. Significa que alguma coisa saiu da conta. Normalmente é uma destas:
- O domínio fica no nome de outra pessoa. Você paga pelo site e não é dono do endereço.
- Existe mensalidade de plataforma que ninguém citou. O site para de existir se você parar de pagar o construtor.
- Não tem otimização de imagem. A página abre pesada no 4G, que é onde os seus clientes estão.
- Não tem preparo para busca. A página existe e o Google não sabe descrevê-la.
- Não tem manutenção. Mudar o horário de funcionamento vira um orçamento novo.
- Não tem ninguém depois da entrega. O arquivo foi entregue, e acabou.
O que faz o preço subir com motivo
Nem toda proposta cara é abusiva. Estes itens custam trabalho de verdade e mudam o resultado:
| Item | Por que custa | Quando vale |
|---|---|---|
| Texto escrito do zero | Exige entender o negócio, o cliente e a objeção real antes de escrever | Quase sempre. É o que vende. |
| Fotografia própria | Deslocamento, produção e tratamento | Quando o produto é visual: comida, espaço, estética |
| Integração de verdade | Formulário que cai no seu sistema, agenda, pagamento | Quando você já perde tempo copiando dado na mão |
| Performance medida | Otimizar e comprovar com medição, não com promessa | Quando a maior parte do acesso vem de celular |
| Acompanhamento depois do ar | Alguém responsável por manter a página viva | Quando o seu negócio muda de preço, horário ou serviço |
Um item que quase ninguém cobra e muda dinheiro
Velocidade parece assunto técnico e é assunto comercial. O estudo mais sólido que existe sobre isso mediu a operação real de dezenas de marcas:
+8,4%
de conversão no varejo a partir de apenas 0,1 segundo de ganho na velocidade em celular. Em viagens, o mesmo 0,1 segundo rendeu 10,1%, e o ticket médio do varejo subiu 9,2%.
Vale a ressalva honesta: esse estudo mediu varejo e turismo, não pizzaria de bairro. O número exato não se transfere direto para o seu caso. A direção, sim: página lenta custa cliente, e o custo é proporcional ao volume de quem acessa pelo celular.
Por isso vale perguntar se a proposta inclui medição depois da entrega. É barato de fazer quando a página foi bem construída, e é impossível de fazer quando ela nasceu pesada.
Como ler uma proposta sem ser especialista
Seis perguntas. Se as seis tiverem resposta clara, o orçamento é honesto, caro ou barato:
- O domínio fica registrado em nome de quem?
- Existe mensalidade? De quê, exatamente, e o que acontece se eu parar de pagar?
- Quem escreve o texto da página?
- As fotos são minhas, de banco de imagem ou produzidas?
- Depois que entrar no ar, quem muda um preço ou um horário, e isso custa quanto?
- Se eu quiser levar o site para outro fornecedor, eu consigo?
Orçamento barato que não responde essas seis perguntas não é barato. É incompleto, e a diferença aparece no sexto mês.
A conta que importa mais que o preço
Preço isolado não diz nada. O que diz é quanto vale um cliente para você.
Se o seu ticket médio é R$ 200 e o cliente costuma voltar, uma página que traga um cliente novo por mês se paga em pouco tempo e depois passa a ser lucro. Se o seu ticket é R$ 8.000, como em muitos serviços profissionais, um único contrato fechado paga a página inteira várias vezes.
Faça essa conta antes de comparar orçamentos. Ela costuma mudar completamente qual dos dois números parece caro.
Perguntas frequentes
Dá para fazer uma landing page de graça?
Dá. Existem construtores gratuitos e eles funcionam para validar uma ideia. As limitações costumam ser endereço com a marca da plataforma, propaganda dela na sua página, pouca liberdade de layout e dependência total: se a plataforma mudar de regra ou fechar, a página vai junto. Para testar, serve. Para ser o endereço oficial de um negócio, é frágil.
Por que uma landing page custa mais que um site pronto de template?
Porque o trabalho é diferente. No template você compra um layout e preenche. Numa página feita sob medida, alguém precisa entender o que você vende, para quem, qual objeção trava a venda e como responder isso na ordem certa. O arquivo final parece parecido. O que produz resultado é justamente a parte que não aparece.
Quanto tempo leva para ficar pronta?
Depende muito de um fator que raramente é o desenvolvedor: a velocidade com que o conteúdo chega. Texto, fotos, preços e horários costumam ser o gargalo real. Uma página simples, com o conteúdo em mãos, sai em poucos dias. A mesma página, esperando as fotos do cliente, pode levar um mês.
Preciso pagar mensalidade para sempre?
Não necessariamente, e isso depende inteiramente de como a página foi construída. Site feito em construtor normalmente exige a mensalidade da plataforma para continuar no ar. Página estática própria tem custo recorrente apenas de domínio, que é anual e público, e de hospedagem, que para esse tipo de página é muito baixo. Pergunte isso antes de assinar.
Vale mais a pena investir na página ou em anúncio?
As duas coisas resolvem problemas diferentes e a ordem importa. Anúncio traz gente. A página transforma gente em cliente. Investir em anúncio apontando para uma página ruim é pagar para levar visitante até um lugar que não converte. A página costuma vir primeiro porque o anúncio depende dela para funcionar.